Máquinas capazes de imprimir em 3D joias prontas em ouro ou em prata podem parecer ainda distantes da realidade, porém, elas já existem e não vai demorar muito para terem seu uso disseminado na indústria joalheira. Leonardo Tuorto, sócio-diretor da Delta Thinkers, estima um prazo de três a cinco anos para que as impressoras abastecidas a pó de ouro já estejam sendo usadas de forma corriqueira. Atualmente, apenas uma máquina deste tipo está em produção na Inglaterra para a fabricação de relógios, e não há utilização de prata. Leonardo não duvida que em breve a tecnologia estará disponível de forma mais acessível, o que só ainda não acontece devido ao alto custo do equipamento e do material.
Informações como esta fizeram parte da apresentação que a Delta Thinkers realizou na Ajorio sobre o uso da impressão 3D na joalheria, que incluiu ainda uma visita à empresa para conferir a impressão de um modelo de joia em resina. Na joalheria, a impressão 3D, ou prototipagem rápida como também é chamada, é utilizada para imprimir matrizes de produção. “A impressão 3D é uma ferramenta muito poderosa, que está substituindo o trabalho manual no processo de produção de joias. A indústria está migrando para métodos mais informatizados de fabricação, o que acredito ser um caminho sem volta”, afirmou.
Segundo Leonardo, as principais vantagens da impressão 3D estão na possibilidade de se produzir geometrias complexas, na rapidez do processo, na precisão absoluta da máquina e na personalização eficiente. Uma aliança simples, por exemplo, pode ser impressa em cerca de 10 minutos. “A entrega mais rápida é o grande diferencial, por isso ela é adequada para médias produções. Peças com geometrias mais complicadas também justificam o uso da impressão, porque além da precisão técnica, o custo será mais barato do que o de um modelador de cera”, avalia.
Tecnologia
A impressão 3D não é nova. Ela começou a ser usada nos anos 80 e o setor joalheiro foi um dos pioneiros. O tipo de tecnologia que se usa é o mesmo, o que vem evoluindo são os materiais, tanto na química da resina quanto na precisão do laser e dos projetores. No mercado de moda e acessórios, já existem projetos de impressão de peças prontas usando materiais não convencionais, como o nylon flexível e a cerâmica, que a Delta Thinkers pretende implantar a partir de agosto. “A evolução dos materiais dos anos 80 para cá foi gritante”, comentou.
A Delta Thinkers utiliza dois tipos de tecnologia de impressão. A impressora de filamento, para objetos maiores e menos detalhados, e a SLA (esterolitografia), para a fabricação dos moldes em resina. Dentro desta impressora tem uma bacia com fundo transparente onde a resina líquida é colocada e embaixo dela há um sistema de projeção ultravioleta em laser ou projetor de alta definição. A luz é jogada por baixo solidificando a resina e formando a geometria.
A Delta utiliza um equipamento com projetor full HD e resolução de 30 microns, que segundo Leonardo é uma das melhores do mercado. “Com esta resolução, consigo gerar um detalhe em uma joia que tenha 30 microns. Quanto menor a resolução, melhor será para fazer uma pré-cravação, um logo, um carimbo ou um contraste”, explicou.
O custo de impressão é de R$ 210 para 1 ml de resina. Proporcionalmente, um anel simples sairia em torno de R$ 80 reais pela quantidade de material utilizado. O cliente pode fazer o orçamento por meio de uma calculadora online enviando o arquivo 3D. Para peças mais robustas a empresa faz o cálculo manual.
Joias personalizadas
A Delta Thinkers está fechando uma parceria com a empresa holandesa Packhunt para a implantação de uma plataforma online de joias personalizadas em lojas e pontos de venda. Além do serviço para ateliês e pequenas joalherias, a Delta atende o varejo vendendo joias personalizadas. O serviço foi lançado há alguns meses, depois que a empresa passou a focar no mercado joalheiro.
De acordo com Leonardo, a decisão de focar no setor de joias se deu pelo potencial que os sócios enxergaram na joalheria. No Rio de Janeiro, a empresa é a única que oferece este serviço e por isso já conta com uma carteira de cerca de 100 clientes fixos, sendo que já atenderam a aproximadamente 250, em sua maioria pequenos ateliês. “Vejo o mercado joalheiro como um dos mais promissores para a utilização da tecnologia 3D”, diz.
Segundo ele, o diferencial da empresa está no atendimento aos pequenos produtores, que podem reduzir custos e otimizar sua produção com uma entrega mais rápida e precisa de suas matrizes de produção. Além disso, a oferta de joias personalizadas representa uma inovação no mercado consumidor. Neste segmento, o cliente define como gostaria a joia e a Delta faz a ponte com um dos designers cadastrados na sua rede que produz o desenho 3D para a empresa fazer a manufatura.
Com a aquisição da plataforma online, o serviço será ampliado para diversos pontos de venda no Rio de Janeiro. “O joalheiro terá uma coleção de 100 peças e cada cliente receberá a sua personalizada. No processo tradicional, ele teria um único molde para 100 peças iguais. O custo de imprimir todas estas peças talvez seja um pouco maior, mas o valor agregado com cada peça sendo única e, às vezes, criada com auxílio do cliente, é um plus que o novo consumidor, ou “prosumidor”, aquele que produz o que consome, está interessado”, concluiu Leonardo.








