![]() | Ousado, criativo, talentoso, inovador, pioneiro, dono de uma inquietação artística que o levava a romper barreiras com sua arte, o joalheiro Caio Mourão faleceu em março, deixando um legado importante para o setor joalheiro nacional. Com um design moderno e arrojado, Caio, nos anos 60, foi o primeiro joalheiro a romper com o padrão das jóias importadas, criando jóias de vanguarda e por isso é considerado o pai da joalheria de autor no Brasil. Caio Mourão usou sua fonte inesgotável de talento para derrubar fronteiras em diversos reinos da criação. Pintor, desenhista, escultor e joalheiro, ele criava jóias que são pequenas esculturas e "escultu- |
Sobre seu início em joalheria Caio disse, em entrevista ao Informativo Rio Jóia em 2003: "Quando comecei a aplicar o que havia aprendido como pintor e gravador em joalheria, conheci Haroldo Burle Marx que era lapidário e realizava jóias muito arrojadas, desenhadas pelo irmão (o paisagista Roberto Burle Marx). Começamos a fazer, em separado, jóias numa linha de ruptura com as jóias importadas, creio que foram as primeiras jóias com design brasileiro no país".
Como pintor e desenhista, chegou a expor na II Bienal de São Paulo e em Salões do Rio de Janeiro, Bahia e na capital paulista.O interesse pela joalheria surgiu em 1955, trabalhando como aprendiz em oficinas. Porém, seu estilo próprio, baseado nos conhecimentos de desenho e pintura, chamava atenção. No ano seguinte realizou a sua primeira exposição de jóias, no Museu da Arte Moderna de São Paulo.
Na década de 60, desenhou jóias para Pierre Cardin, unindo joalheria e moda, em mais um movimento inédito nas artes. Em 1969, foi morar em Portugal, a convite da Fundação Calouste Gulbenkian, para dar aulas de desenho de joalheria e se especializou em prataria pesada. Nos anos 70, virou referência e ter uma "jóia do Caio" era sinal de status e bom gosto.
Contador de histórias, bem-humorado, homem de muitos amigos, Caio tem entre seus admiradores artistas e intelectuais, com os quais conviveu na época dourada de Ipanema e que o chamavam carinhosamente de "funileiro", como ele conta em seu primeiro livro "Prata da Casa, Estórias de um Funileiro", lançado na AJORIO em junho de 2003, quando a Associação fez uma homenagem merecida a este pioneiro da joalheria nacional. Nos últimos anos Caio também se dedicou a escrever crônicas para a Revista Caros Amigos e publicou o segundo livro, "Prata da Casa II, gostei mais do primeiro".
Quebrando paradigmas e sempre em busca da inovação, do diferencial, Caio revolucionou o conceito de jóia no país, perpetuando seu nome com talento e ousadia. Nós da AJORIO, que sempre incentivamos o design, a inovação, e a criação de uma marca própria para as jóias nacionais, não poderíamos deixar de prestar uma última homenagem a este pioneiro da joalheria nacional, com uma frase do poeta Fernando Pessoa, que bem define o espírito irreverentecriativo de Caio: "Tudo vale a pena se a alma não é pequena".









